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Outras Informaçõs sobre a Mulher




Retenção de liquido e aumento de peso provocam inchaço

Revista Corpo a Corpo
Ano 2003 Nº 16
Imagem cedida pelo Site Corbis
O peso de uma mulher é sempre confidencial. Só contamos para os médicos e, às vezes, abaixamos um pouquinho. Muitas de nós se queixam de reter líquidos. Elas acreditam que esse é o motivo pelo o qual não conseguem perder peso.
Suas mãos e pernas incham, não urinam o suficiente durante o dia e por isso acabam tomando diuréticos ou remédios para emagrecer uma solução precipitada e imprópria que prejudica a saúde.
É necessário saber o que é retenção de líquidos e o que é gordura.
“A primeira lição dessa história é a seguinte: o nosso corpo é dotado de um sistema de controle muito fino da água corporal, de maneira que o balanço hídrico não se altere muito, nem para mais, nem para menos.
O primeiro sinal que algo se alterou é a sede. Ela garante a procura de água sempre que o nosso balanço hídrico estiver negativo e nos faz recusar água sempre que nossa hidratação estiver normal”, explica a endocrinologista Ellen Paiva, diretora do Citen, Centro Integrado de Terapia Nutricional.
Nossos rins garantem a eliminação de uma urina mais aquosa e menos concentrada quando estamos bem hidratados. Sempre que nosso estoque de água estiver escasso, será eliminada uma urina mais escura e de menor volume. Finalmente, ainda eliminamos um volume de água de cerca de um litro nas 24 horas através da transpiração (suor), nos dias quentes, esse volume é ainda maior. Isso sem mencionar a perda de a água gasta pelo nosso corpo em suas reações químicas.
Retenção de líquidos
Algumas doenças podem alterar e romper esse sistema aparentemente perfeito e causar uma real retenção de líquidos, como a insuficiência renal. Outras podem causar uma movimentação anormal da água corporal em seus espaços, fazendo com que um maior volume de água saia das células e dos vasos sangüíneos.
Ocorre muito em casos da insuficiência cardíaca e das doenças crônicas do fígado, afirma a diretora do Citen.
Essas doenças são facilmente percebidas pelos pacientes e diagnosticadas pelos médicos. Não há como confundi-las com estados fisiológicos de retenção de líquidos, que geralmente não vêm acompanhados de nenhum outro sintoma, além da sensação de inchaço. São doenças graves e necessitam de tratamento específico.
Na mulher o ciclo menstrual merece destaque na retenção de líquidos, pela amplitude de sua oscilação hormonal durante o mês.Temos um hormônio chamado progesterona, responsável por uma real e fisiológica retenção de líquidos, que ocorre na última semana que antecede a menstruação. Essa retenção embebe mamas, abdome e pelve. Se a fecundação não ocorrer, há uma brusca queda hormonal e com ela a menstruação, fazendo com que ocorra a eliminação dos líquidos retidos, explica Ellen Paiva.
Inchaços
Outro grande mito em relação à retenção de líquidos é o inchaço que surge pela manhã e a alegação de que os anéis não entram ou saem dos dedos. O que ocorre durante a noite é uma redistribuição de líquidos no corpo humano. Quando permanecemos deitados por muito tempo, ocorre com mais facilidade o movimento dos líquidos para as extremidades do corpo, principalmente para as mãos. Logo, não há retenção de líquidos durante à noite, apenas a migração de líquidos, que voltam a se redistribuir durante o dia, quando ficamos de pé ou sentados, favorecendo maior acúmulo em membros inferiores, afirma a especialista.
Há condições muito freqüentes que nos levam a crer que inchamos as pernas ou sentimos a sensação de “pernas pesadas”. “O problema aparece nas mulheres de pernas caracteristicamente mais grossas, onde a celulite é a regra e não uma retenção de líquidos. O problema é relacionado às alterações circulatórias, com grande predisposição para varizes e depósito irregular de gorduras, com as nítidas características da celulite”, explica.
Para dificultar o quadro dessas pacientes, elas têm uma obesidade de pernas o que torna mais difícil o tratamento. Geralmente, elas perdem peso muito lentamente, não respondem às chamadas drenagens linfáticas, nem aos géis redutores ou qualquer manobra estética de tratamento.
“A melhor forma de tratamento ainda é a movimentação regular e vigorosa das pernas, principalmente em esteiras ou bicicletas ergométricas em exercícios diários, uma vez que esse procedimento tem a mesma atuação que um remédio para o problema”, acrescenta a nutróloga.
Cuidado com o excesso de sal
Uma alteração realmente capaz de nos fazer beber água além da conta e reter líquidos é a ingestão de uma dieta rica em sal. Isso pode ser facilmente evidenciado quando passamos a ingerir em excesso, após a comida salgada e não urinamos tamanha ingestão hídrica, explica Ellen Paiva.
O sódio presente no sal é naturalmente osmótico, ou seja, retém água ou simplesmente causa movimentos de água anormais entre os compartimentos corporais, sempre no sentido de um local de menos sódio para um mais rico em sódio.
Logo, uma atitude realmente eficaz, principalmente nas fases do ciclo menstrual, onde naturalmente retemos líquidos, é o cuidado com a ingestão de sal, dando preferência a alimentos com pouco sal em sua composição, recomenda a médica.
5 passos para reduzir o consumo de sal:
1. Use pouco sal no preparo dos alimentos, substituindo-o por temperos naturais como alho, salsinha, cebola, orégano, hortelã, limão, manjericão, gengibre, coentro e cominho;
2. Evite temperos industrializados como ketchup, mostarda, molho shoyu e caldos concentrados. Atenção para o aditivo glutamato monossódico, utilizado em alguns condimentos e nas sopas de pacote;
3. Cuidado com as conservas como picles, azeitona, aspargo, patês e palmito, enlatados como extrato de tomate, milho e ervilha – alimentos conservados em sal e os salgadinhos como batata frita, amendoim salgado, cajuzinho;
4. Evite carnes salgadas como bacalhau, charque, carne-seca e defumados;
5. Nunca tenha um saleiro à mesa.
Nada de diurético
A pior atitude para mulheres que se queixam de retenção de líquidos é o uso dos diuréticos, que induzem à perda forçada de água, causando desidratação celular, eliminação artificial de urina e a falsa impressão de que o inchaço foi reduzido ou até mesmo que houve perda de peso.
A perda de peso, nestes casos, ocorre à custa de desidratação e a diurese forçada deixa sempre a impressão de que os rins não funcionam bem, quando, na verdade, o que é anormal é o volume de urina eliminando, e, com ela, eletrólitos importantes como o potássio.
A má conduta acarreta em dores e fraqueza nas pernas, além de câimbras”, adverte a especialista. Finalmente, é importante que as mulheres saibam que se elas têm rins, coração e fígado normais e acesso normal à água, elas não estão inchadas, nem retêm líquidos.
Quando realmente têm retenção de líquidos, isso faz parte do ciclo menstrual e é transitório. Estas mulheres precisam rever suas dietas e seus estilos de vida para tentarem explicar de maneira mais correta a sensação de ganho de peso, recomenda Ellen Paiva.


05/07/2008