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Lendas do Estado do Paraná - As lendas são narrações orais de caráter fantástico que no entanto procuram dar uma explicação a um fato real. Como em todo o Brasil, o lendário do Paraná, é muito rico, deixando transparecer a fértil imaginação do índio e do caboclo. Destacamos algumas lendas que dizem respeito a nossa prodigiosa natureza, a nossa formação histórica e cultural, ou ainda aos nossos pontos turísticos:

Lenda das Cataratas do Iguaçu
Os índios kaingangue, que habitavam às margens do rio Iguaçu, acreditavam que o mundo era governado por M'boi um deus que tinha a forma de uma serpente e que era filho de Tupã. O cacique dessa tribo chamado Igobi, tinha uma filha. Naipi, tão bonita que as águas do rio paravam quando a jovem nela se mirava, devido a sua beleza, Naipi seria consagrada ao deus M'boi, passando a viver somente para o seu culto. Havia porém, entre os kaingangue um jovem guerreiro chamado Tarobá, que ao ver Naipi por ela se apaixonou. No dia da festa da consagração da jovem índia, enquanto, o pajé e os caciques bebiam cauim (bebida feita de milho fermentado) e os guerreiros dançavam, Tarobá fugiu com a linda Naipi numa canoa que seguiu rio abaixo, arrastada pela correnteza.

Quando M'boi soube da fuga de Naipi e Tarobá, ficou furioso. Penetrou então nas entranhas da terra e retorcendo o seu corpo, produziu na mesma, uma enorme fenda que formou uma catarata gigantesca. Envolvidos pelas águas dessa imensa cachoeira, a piroga e os fugitivos caíram de grande altura desaparecendo para sempre.

Naipi foi transformada em uma das rochas centrais das cataratas, perpetuamente fustigada pelas águas revoltas e, Tarobá foi convertido em uma palmeira situada à beira do abismo, inclinada sobre a garganta do rio. Debaixo dessa palmeira acha-se a entrada de uma gruta onde o monstro vingativo, vigia eternamente as duas vítimas.

Lenda da Erva-Mate
Conta-se que Deus, acompanhado por São José e São Pedro, em uma longa jornada, pediu pousada na casa de um índio, já velhinho e muito pobre, que tinha como único bem, uma jovem e linda filha. O bom índio acolheu os incógnitos visitantes com carinho e hospitalidade. Querendo recompensá-lo, Deus disse ao ancião: - Vou premiá-lo pela generosidade de sua acolhida, tornando imortal, sua bela e inocente filha, a quem você quer tanto.

E assim, Caá-Yari, a jovem guarani, foi transformada na árvore de erva-mate, que desde então existe e por mais que a cortem, sua folhagem volta a brotar e a florir sempre mais vigorosa, permanecendo eternamente jovem. Caá-Yari tornou-se a deusa dos ervais protegendo suas selvas, favorecendo os ervateiros, abreviando seus caminhos, diminuindo-lhes o peso dos feixes e mitigando-lhes a árdua e cansativa jornada de trabalho nos ervais.

Lenda do Café
Certo mosteiro de Kaffa, situado na Abissínia à margem do mar Vermelho atual território etíope, possuia um rebanho de cabras, cuidado por um pastor chamado Kaldi, que era de inteira confiança dos frades. Ao pastorear os animais nas cercanias do convento, notou o astuto cabreiro, que horas depois de ingerir os frutos de um determinado arbusto verde-escuro, os caprinos tornavam-se ágeis e indóceis, sendo mais difícil que o habitual, reconduzí-los ao cural. Berravam, saltavam, corriam e, tal era o efeito da planta de misteriosos frutos vermelhos, que durante toda a noite, as cabras não repousaram, conservando-se despertas, como se não sentissem fadiga. Intrigado com a observação feita por Kaldi, o superior do convento, tratou de comprovar sua veracidade e mandando colher um punhado daqueles grãos cor-de-sangue, ferveu-os e em seguida serviu o líquido entre os frades, que sentiram-se a partir de então, mais dispostos para as longas vigílias de oração.

Assim, segundo a tradição popular, estava descoberto o café, conhecido atualmente em todo o mundo pelas suas propriedades tônicas, e estimulantes e pelo seu inconfundível aroma e sabor.

Lenda do Pinheiro e da Gralha-Azul
Existem várias espécies de gralhas: pretas, pardas, reais(brancas), azuis de peito amarelo e outras. Porém só a gralha-azul (Cyanocorax caeruleus) é a replantadora natural da árvore símbolo do Paraná (Araucaria angustifolia). A gralha era parda, como a maioria de sua espécie, todo dia implorava a Deus, muito humildemente: - Senhor sei que nada valho, nada sou. Não faço nada, além de barulho e de estragar as plantações. Gostaria de ser útil, de alguma forma.

Ouvindo o pedido daquele pássaro, o Criador entregou-lhe um pinhão, que a ave prendeu no bico, martelando-o contra um galho, até esfarripar a casca. Uma vez descascado, cortou-o pela metade, comendo a parte mais bojuda e depositando a restante em uma cova não muito funda e mal coberta de terra com a ponta voltada para cima, de maneira que quando a podridão consumiu a haste, o broto já tinha germinado, nascendo um lindo pinheirinho.

Assim fez a gralha com a semente que Deus lhe deu e continuou fazendo com todas as outras, cobrindo o Paraná de pinheirais. Querendo premiar o trabalho da esforçada ave, Deus cobriu-a com uma plumagem da mesma cor de seu manto celestial. E foi assim, que a gralha que era parda, tornou-se azul.

Lenda de Vila Velha
Itacueretaba, antigo nome do que conhecemos hoje por Vila Velha, significa aproximadamente "A Cidade extinta de pedra". Localizada à margem direita do rio Tibagi (o rio do pouso) na vasta e ondulada ibeteba (planície) que Saint-Hilaire, maravilhado, disse ser o paraíso do Brasil. Este recanto tinha sido escolhido pelos primitivos habitantes para ser o abaretama(terra dos homens), onde escolhiam o Itaimmareru, o precioso tesouro.

Tendo a proteção de Tupã, era cuidadosamente vigiado por uma legião de Apiabas (varões), que eram escolhidos entre os homens de todas as tribos, treinados para desempenhar a honrosa missão. Os Apiabas tinham todas as regalias e distinções e desfrutavam de uma vida régia.

Era-lhes, porém, vedado o contato com as mulheres, mesmo que fossem de suas próprias tribos. A tradição dizia que as mulheres, estando de posse do segredo Abaretema, o revelariam aos quatro ventos e, chegada a notícia aos ouvidos do inimigo de seu povo, estes tomariam o tesouro para si. Tupã, o oniponente, deixaria de resguardar o seu povo e lançaria sobre eles as maiores desgraças, se o tesouro fosse perdido.

Os Apiabas eram fortes, ativos e bravos. O seu único trabalho consistia em realizar jardins na terra daquelas planícies. Tupã não permitia que naquele recanto sagrado, houvesse o pecado.

Numa certa época, Dhui (em nossa língua corresponde a Luís) fora escolhido para chefe supremo dos Apiabas. Como todos os outros, tinha sido preparado, desde a mais tenra idade, para essa sagrada missão. Dhui, entretanto, não desejava seguir aquele destino, celibatário. Seu sangue achava-se perturbado pelo feminil fascínio (era um cunharapixara - mulherengo). As tribos rivais ao terem conhecimento da notíicia, de pronto resolveram aproveitar-se da situação e escolheram entre uma de suas donzelas a que deveria ir tratar o jovem guerreiro e tomar-lhe o coração para arrebatar-lhe o segredo.

A escolhida foi Aracê Poranga (Aurora Bonita). Não lhe foi difícil conseguir a atenção do ardoroso Dhui e, pouco a pouco, ia entrelaçando a sua habilidosa teia, de tal modo que ele ficou completamente apaixonado e subjugado a seus pés. Ela já havia entrado no Abaretama com o consentimento de Dhui, que não teve como resistir-lhe ao desejo, pois Aracê era mulher e Dhui homem. Aracê traiu seus parentes em nome do amor, como Dhui traiu sua missão em nome de Aracê.

Numa tarde primaveril, quando aos Ipês (árvores de casca) já florecidos deixavam cair sua flores douradas numa chuva de ouro, Aracê, veio ao encontro de Dhui trazendo uma taça de Uirucuri, o licor de butiás, para embebedá-lo; mas o amor já dominava sua razão e ela também tomou o licor e ficaram à sombra do Ipê, langüidamente entrelaçados.

Tupã vingou-se desencadeando um terremoto que abalou a planície. A fúria divina convulsionou-se dentro do solo e a região foi destruída, trazendo morte e dor. A Abaretama completamente destruída tornou-se de pedra, o tesouro aurífero fundiu-se e liquidificou-se, e os dois amantes castigados ficaram um ao lado do outro petrificados. Ao seu lado ficou a causa de sua desgraça, a taça de pedra...

E, quando ali se passa ainda pode se ouvir ao vento a última frase de Aracê: -Xê pocê ô quê (dormirei contigo).
E foi assim que Abaretama tornou-se Itacueretaba.

A terra se fendeu: são as grutas que encontramos próximas à Vila Velha e o tesouro fundido é aquela lagoa que chamamos Lagoa Dourada, a qual, quando o sol lhe bate em cheio, ainda reflete o brilho aurífero. Dhui e Aracê, equivalente indígena de Adão e Eva, estão ainda hoje lado a lado circundados de Ipês descendentes daqueles que assistiram à morte dos dois. E os sobreviventes daquele povo partiram para outras terras onde a maldição de Tupã não os alcançasse. Fundaram um outro império, nessas terras imensas da América do Sul.


Fonte: Secretaria de Estado do Turismo do Paraná - SETU