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Folclore Pernambucano - O marcante passado histórico aliado a criatividade do povo pernambucano resultaram em uma cultura popular extremamente rica e diversificada.

Dos europeus, o gosto pelas danças da corte, pelos bailados e epopéias; dos negros escravos, os requebros, a religiosidade e ritmos cadenciados; dos índios, o misticismo, a graça e a leveza de movimentos, próprios de uma raça que tinha na dança o reflexo do seu dia-a-dia.

Assim surgiram as mais variadas expressões populares, quase sempre associadas aos principais ciclos festivos:

Ciclo Carnavalesco: é a principal festa popular, manifestando-se em praticamente todo Estado. Destaque para Olinda e Recife ( Boa Viagem e Centro ). Blocos, troças, clubes, maracatus ( rural e de baque virado ), caboclinhos, ursos, blocos anárquicos, escolas de samba, afoxés, mascarados, bonecos gigantes, bois de carnaval.

Ciclo Quaresmal: malhação de Judas, serra velho e micarême, sendo este um carnaval no Sábado de Aleluia, manifestação bastante observada há anos passados e que vem sendo revivida atualmente.

Ciclo Junino: ocorre durante o mês de Junho, quando se homenageia Santo Antônio, São João e São Pedro. Manifesta-se em praticamente todo o Estado. Destaque para Caruaru ( a capital do forró ) Carpina, Paulista, Petrolina, Recife e Olinda. É tempo de fogueira, de ruas enfeitadas de bandeirolas e balões, de fazer adivinhações, de soltar fogos, de apreciar bandas de pífano, cantadores, acorda povo, bacamarteiros, violeiros, emboladores e de dançar quadrilha, forró, ciranda, xote, xaxado, coco e baião.

Ciclo Natalino: seu principal representante é o pastoril. Pode-se também observar o pastoril profano, a queima da lapinha, o reisado, a cavalhada, o fandango e o bumba – meu – boi.


MANIFESTAÇÕES FOLCLÓRICAS E RELIGIOSAS

Acorda Povo / Bandeira de São João:
“Acorda Povo” é uma tradicional procissão, com danças e cânticos, às vezes profanos, que conduz a bandeira de São João Batista ao som de zabumbas e ganzás. Seu inicio é quase sempre a partir de zero hora e vai até o dia clarear.

Bacamarteiros:
Tradição que tem origem na guerra do Paraguai. Consiste na reunião de atiradores de bacamarte sob a direção geral de um comandante, dividido em batalhões e que durante os festejos juninos e natalinos deflagram grandes descargas de pólvora seca, em homenagem aos santos padroeiros. São acompanhados por bandas de pífanos ou zabumbas, num ritual místico de grande efeito pictórico.

Banda de Pífanos:
A Banda de Pífanos é um conjunto de instrumentos de percussão e sopro. Apresenta-se tradicionalmente nas festas de ruas e nas cerimônias religiosas. É conhecida como cabaçal ou zabumba.

Blocos:
São agremiações carnavalescas, formadas por rapazes e moças de determinado bairro, que desfilam à noite, dançando e cantando suas músicas ( frevo – canção e marcha de bloco ) ao som de uma orquestra de “pau e corda”, com fantasias luxuosas. Quase sempre há um enredo que lembra certo episódio histórico.

Boi de Carnaval:
Conjunto de “bichos” do bumba-meu-boi ou dos entremeios do reisado que se desligam do auto do boi, durante o Carnaval para brincar na rua. Geralmente saem “Boi”, “Burra”, “Babau”, “Ema”, “Mateus” e outros palhaços com porta estandartes, cordão feminino e orquestra de gonguê, bombo, surdo, etc.

Bumba – Meu – Boi:
O Bumba- Meu- Boi é um dos espetáculos populares nordestinos. É praticado em arena, onde o público em pé forma a roda e vai se fechando em torno dos intérpretes no qual os papéis femininos são desempenhados por homens vestidos de mulher com uma orquestra composta de zabumba, ganzá e pandeiro.

Caboclinhos:
É um dos mais antigos bailados populares do Brasil. Nele está bastante evidente a origem de influência indígena. A indumentária consiste em tanga e cocar de penas de aves. Os componentes carregam arco e flecha, que servem não apenas como elementos de caracterização do índio, mas também para marcar o ritmo da música tirada por um terno: pífanos, ganzá e caixa-surdo.

Cavalhada:
A cavalhada é uma reminiscência dos torneios da Idade Média. Como folguedo popular, a cavalhada é um torneio equestre onde os cavaleiros procuram demonstrar sua habilidade. Começa com manobras em círculos, rodopios e outros figurados. Depois tem lugar a manobra de guerra e jogo de argollinhas.

Ciranda:
É uma dança rodada distinta das “cirandinhas infantis”. Distinta pelos “cirandeiros” (que são adultos), pelo repertório poético – musical; pelo instrumental obrigatório, que acompanha a roda ondulante dos cirandeiros que se enlaçam alternadamente; distinta ainda pelo local que escolhe, em geral afastado dos aglomerados urbanos, e se realizando pela noite a dentro; ou ainda, pela presença do Mestre Cirandeiro, a quem cabe “tirar as cantigas” (cirandas), improvisar versos e presidir a festa.

Clubes de Rua:
O clube de rua é a mais representativa agremiação carnavalesca. Dele fazem parte o baliza, ou mestre de cerimônia; o estandarte, tão sagrado na vida de um clube quanto a bandeira de um regimento; em seguida, a “onda”, grande corrente humana que retrata o prestígio de determinado clube; a fanfarra conjunto musical de metais e clarins; e, fechando o cortejo, o “cordão”, grupo de sócios do clube, realizando manobras pitorescamente vestidos.

Coco:
Acredita-se que o coco, dança popular nordestina, tenha nascido nas praias (daí sua designação). Quando apareceu, era dançado em roda formada com pares, na cadência de cantos especiais. Os dançarinos, cantando, trocavam umbigadas com o seu par e a moça do par vizinho, em movimentos sincronizados.

Dança de São Gonçalo:
Há um altar e nele São Gonçalo. Diante do altar, duas filas de dançarinos, cada um com um guia e um contraguia. Dá-se o revezamento dos extremos das filas e começam os movimentos em semi-círculo. Os dançarinos saltitam compenetrados, em busca da melhor harmonia coreográfica. Com métricas quebradas que sucedem, a dança se estende a não mais cansar.

Excelência:
É um canto entoado a cabeça dos moribundos ou mortos. Acredita-se que a excelência tem o poder de despertar no moribundo o horror do pecado, incitando-o ao arrependimento. É cantada sem acompanhamento instrumental, em uníssono, em série de 12 versos.

Fandango:
O fandango é um espetáculo popular que soma romance, dança, musica, anedotas, ditos, lendas e orações. A brincadeira desenvolve-se em um tablado armado no pátio alegórico, às vezes, à beira- mar. A duração é de toda uma noite. Os atores vestem-se de branco como marinheiros. Cantam, dançam e gritam ao som de instrumentos de corda, fazendo percurssão com um sapateado próprio.

Frevo:
O Berço do frevo é o Estado de Pernambuco. É uma dança de multidão onde possui uma coreografia: se abaixando e se levantando, pulando de um lado para o outro, porém não há disciplina a seguir podendo o passista ser criativo.





Malhação do Judas:

Os Judas são os bonecos de pano que ficam pendurados em postes e portais para serem estipardos e queimados ao amanhecer do Sábado de Aleluia. Originalmente, a cena representa o castigo ao apóstolo traidor.

Mamulengo:
Nome dos teatrinhos de fantoches introduzidos em Pernambuco ainda no século XVI. Foi inspirado no catolicismo alegórico da Idade Média. As peças apresentadas, embora obedecendo a um roteiro, são quase sempre improvisadas, representando uma resposta à reação dos expectadores. O mamulengo aparece em várias festas populares do ano ou faz a festa com as suas peças ligeiras, vivas e irônicas.

Maracatu:
O maracatu cujo o desfile evoca os cortejos dos soberanos negros é chamado de “nação africana”, urbano ou de “baque virado” e é uma exclusividade do carnaval pernambucano. A dança evoca o banzo africano em terras estranhas; é bamboleante, imitando o movimento do mar. A orquestra que acompanha o cortejo é formada por taróis, bombos, zabumba, ganguês e ganzás. Existem, ainda, os chamados maracatus rurais de orquestra ou de ‘baque solto”.

Quadrilha:
Manifestação folclórica típica do ciclo junino. Dança-se em pares formando duas alas. O primeiro par de cada ala representa o guia, aquele que deve orientar os demais. Enquanto isso, o marcador vai anunciando os passos (cuja terminologia básica teve origem nos salões aristocráticos da França), em geral a o número de 30. Ao som de conjuntos regionais música da época, os participantes dessa manifestação, vestido em “trajes matutos”, enchem de alegria e beleza as noites pernambucanas.

Reisado:
Auto natalino, fusão de cenas e cantos de reis com as congadas. Sincretismo também com o próprio bumba-meu-boi, que o admite como um dos seus entremeios. Seus personagens (reis, rainhas, embaxatriz, príncipe, vassalos, etc.)dançando, cantando e dialogando, apresentam os mais garridos trajes – saiotes e capas de cetim, guarda-peito e chapéu com enfeites de espelhos, vidrilhos lantejoulas, perólas muídas e fitas coloridas.

Serração do Velho:
A serração do velho é uma tradição européia conhecida em Pernambuco desde do começo do século XVIII. O folguedo reúne um grupo de brincalhões, diante da casa de um velho ou uma velha, na noite da Quarta-feira da Quaresma. Um deles, serrando uma tábua, e acompanhando, nesse rouco e lúgubre ruído, gritos, lamentos e prantos dos demais. Os velhos de modo geral, irritam-se com a brincadeira, dando ouvidos a crença de que o “velho serrado” não chega a outra Quaresma.

Troça:
As troças são clubes que desfilam durante o dia. Sua organização é idêntica a do clube de frevo, apenas apresentando menos figuras e luxo – é mais rústica. Também sua orquestra é similar a do clube de frevo, embora o número de instrumentos musicais seja mais reduzido.

Urso de Carnaval:
Conjunto cujas figuras centrais são o “Urso” (homem trajando máscara de urso e macacão de estopa), o Domador ou “Italiano” é o “Caçador”. Geralmente acompanhados por balizas, estandarte, orquestra (formada por sanfona, triângulo, bombo, pandeiro, etc.), malabarista, etc.

Vaquejada:
A vaquejada é o folguedo de derrubada do gado, indo o vaqueiro à cavalo. Correm sempre dois cavaleiros para conservar o animal em determinada direção. Emparelhado o cavaleiro com o novilho, aproximado o cavalo, o vaqueiro segura a calda do animal dando um forte puxão e afastando o cavalo. Desequilibrado o touro cai espetacularmente. A vaquejada é festa popularíssima no Nordeste.

Violeiros:
O violeiro nordestino constitui um tipo especial, que tem alguma diferença do cantador de viola do resto do País. De viola em punho ou responde o desafio ou canta estórias ou, simplesmente, os acontecimentos do dia estendendo sua opinião ou interpretando os fatos a seu modo, enquanto fabrica suas rimas.

Xangô:
Tipo de culto africano introduzido em pernambuco pelos negros escravos. As grandes funções públicas do Xangô têm lugar à noite, nos dias santificados pela Igreja Católica. A maior de suas celebrações públicas é o “toque” - em que ao som de ritmos originalmente africanos, os fiéis dançam em círculos, trajando as cores dos seus deuses patronos.

Xaxado:
O xaxado, nasceu no Sertão Pernambucano. Dança-se em fila indiana, um atrás do outro, sem volteio, avançando o pé direito, fazendo de três a quatro movimentos laterais e puxando o esquerdo, num rápido e deslizado sapateado. Tem letra agressiva e música simples, com acompanhamento de zabumbas, pífanos, triângulos e sanfonas.



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