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A sigla significa "articulação temporomandibular". Essa estrutura, que liga o crânio e a mandíbula, pode ser alvo de uma lista enorme de problemas. Na maioria das vezes, causada pelo estresse. As mulheres na faixa dos 30 anos são as principais vítimas.


A dor que vem da ATM - O trânsito intenso, a carga exagerada de trabalho, o divórcio e outras situações estressantes da vida moderna estão levando muita gente aos consultórios dentários. Esses pacientes, que aparecem reclamando de escutar zumbidos, de dores perto do ouvido, na nuca e nos ombros, de cefaléia constante e de dificuldade para mastigar, falar e até bocejar, descobrem que estão sofrendo de disfunção da ATM. "Quanto maior a tensão pela qual está passando, mais a pessoa contrai a musculatura facial e comprime a estrutura que conecta o crânio à mandíbula", explica um cirurgião bucomaxilofacial da Unifesp. "Essa pressão nos músculos, nos nervos e nos ossos laterais da face é que acaba levando as vítimas a apresentar tais tipos de sintoma." 
   A disfunção está se tornando mais comum. Nos anos 70, aproximadamente 5% da população mundial precisava de tratamento. Na década de 90, 7,5% passaram a sofrer desse mal. As mulheres são as que mais convivem com a alteração. De acordo com um estudo da Organização de Saúde de Seattle, nos Estados Unidos, cerca de 85% dos pacientes que procuraram ajuda nos últimos 10 anos eram do sexo feminino, com idade média de 34 anos. As razões pelas quais isso ocorre não são comprovadas. Mas acredita-0se que as oscilações hormonais e o fato de a musculatura da mulher ser mais frágil que a do homem sejam os principais responsáveis.
Por trás da dor, o estresse. A ATM é uma articulação complexa, que tem a mesma estrutura do joelho e do ombro e é fácil de localizar. Se você colocar o dedo polegar perto do ouvido e abrir e fechar a boca, sentirá o movimento. Até pouco tempo atrás, os especialistas acreditavam que o equilíbrio desse encaixe dependia basicamente do posicionamento correto dos dentes e da ação da musculatura do rosto. Hoje, sabe-se que existem vários outros fatores que podem interferir nessa conexão, como manter hábitos inadequados (mastigar chicletes, roer as unhas, morder objetos), apresentar alterações hormonais, sofrer de artrite reumatóide, ter uma mobilidade além do comum nas articulações do corpo ou passar por trauma, como uma pancada na face em acidente de carro.
Em suma, um desarranjo na arcada dentária nem sempre significa um desequilíbrio da ATM. Por outro lado, quem o apresenta está mais sujeito ao problema quando sofre a influência dos fatores anteriores. Outro fato comprovado: a fadiga muscular, aquela diretamente ligada ao estresse, é a grande causadora das crises de ATM. Quando estão contraídos, os músculos da mastigação trabalham de forma intensa, o que aumenta a produção local de ácido lático. Essa substância dificulta o movimento das fibras musculares, deixando-as cansadas e doloridas, e o incômodo se irradia despertando em cadeia outras dores. Se a tensão é muito grande, pode ocorrer até mesmo uma luxação no disco que amortece o contato entre os ossos do crânio e da mandíbula. O resultado é o surgimento de uma pontada intensa ao abrir totalmente a boca.
É preciso relaxar. O dentista consegue detectar a disfunção analisando os hábitos do paciente, fazendo uma palpação da musculatura e do osso, avaliando os movimentos mandibulares e pedindo exames complementares, como raio X e tomografia. Relaxantes musculares e antiinflamatórios são utilizados num primeiro momento para aliviar os sintomas, mas a técnica terapêutica usual é a prescrição do uso de placas, chamadas oclusais, que são feitas de acrílico e encaixadas na arcada superior ou inferior, entre os dentes. Elas amortecem a tensão, ajudando a soltar a musculatura. Sua utilização é indicada principalmente à noite, período em que a contração dos músculos é involuntária e intensa, fazendo com que a articulação trabalhe além da conta. Somente em alguns casos, quando a tensão é excessiva, o uso das placas é necessário também durante o dia. O tempo para que apareçam os resultados varia de pessoa para pessoa. Algumas conseguem resolver o problema após uma única consulta, outras podem levar de um a dois anos para sentir alívio total.
Os profissionais que se dedicam a combater os problemas da ATM recomendam que o cliente faça psicoterapia (para analisar e tentar superar as causas emocionais do estresse) e que seja acompanhado por fisioterapeutas (que orientam mudanças na postura corporal), especialistas em RPG (Reeducação Postural Global), acupunturistas e fonoaudiólogos. Essa parceria potencializa a cura e melhora a qualidade de vida de quem está sofrendo com a ATM.