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O sexo e os homens de 30

Alguns dos homens brasileiros mais interessantes na faixa dos 30 anos que freqüentam os circuitos da moda têm a seguinte lista de queixas das mulheres: elas só pensam em se casar, tentam mudar os homens e podem ser exterminadoras da liberdade. Estes homens — que parecem ter saído de uma versão masculina da série “Sex and the city”, do Multishow — mostram que, assim como as mulheres da mesma faixa etária, também sabem enumerar os defeitos do sexo oposto. Se elas têm como lema “homens-blargh”, mas estão loucas em busca do par ideal, eles também são gamadões nelas!

As angústias e os desejos amorosos destes homens não estão longe do que pensa o novo colunista da revista americana “Details”, Bill Maher, em sua coluna de estréia, na edição de outubro. Maher se tornou conhecido na TV americana por fazer um programa de debates chamado “Politicamente incorreto” e tem como tema preferido uma reação dos homens diante das mudanças no comportamento feminino. Maher costuma fazer uma analogia com os comerciais de cerveja — para ele, o maior indicativo do que se passa na mente dos homens — a fim de mostrar como os homens entre 24 e 39 anos estão perdidinhos. Se antes eles bebiam cerveja para conseguir uma supermulher, agora, só resta a eles concentrarem-se nos outros prazeres: cerveja, comida e esportes.

Para o empresário Marcelo do Rio, de 37 anos, sócio da cervejaria Devassa, do Caroline Café e da Melt, o medo de perder a liberdade era o maior freio para buscar algo mais sério.

— Eu não tinha disponibilidade de tempo e para um relacionamento dar certo é preciso dedicar-se. Até um certo ponto você tem que abdicar de algumas coisas, mas sem perder a liberdade — diz ele, namorando há algumas semanas.

O empresário Cristiano Rangel, de 30 anos, ex de Luana Piovani, é mais categórico. Para ele, o grande problema é que as mulheres não estão se valorizando:

— No primeiro encontro já rola uma transa. Aí o homem termina perdendo o interesse.

O músico Paulo Cesar, de 32 anos, que toca no “Perdidos na Selva” e no “Mandril”, que lançará seu primeiro CD “Músicas perfeitas para estar na novela das oito”, tem medo de começar qualquer coisa e a mulher querer casar logo:

— Quero uma relação construída pouco a pouco.

O poeta e produtor cultural Bruno Levinson, de 35 anos, diz que o grande problema é que as pessoas confundiram independência financeira — da qual ele é defensor — com afetiva.

— É preciso depender do outro afetivamente — diz ele, começando há três meses o seu segundo casamento.

O saxofonista Rodrigo Sha, de 26 anos, o caçula da turma e paquerado por dez entre dez mulheres (opa, o rapaz está namorandésimo), levanta como o maior problema dos relacionamentos o fato de as mulheres quererem mudar os homens.

— É preciso que cada um mantenha a individualidade — diz ele, que lança em breve o CD “Corpo e alma por Rodrigo Sha”.

Eles querem dependência afetiva, não econômica

Uma das reclamações mais comuns feitas pelos homens no divã — sobretudo dos solteiros e dos separados — é sobre a insatisfação nos relacionamentos a dois, garante o psiquiatra e coordenador do Centro de Estudos da Identidade do Homem e da Mulher (Iden), em São Paulo, Luiz Cuschnir.

— Eles reclamam que as mulheres cobram muito e não conseguem perceber que, muitas vezes, eles se dedicam ao relacionamento afetivo, mas de outra forma, não do ponto de vista delas — diz Cuschnir, autor do livro “Homens sem máscara” (Ed. Campus).

Para os homens, as mulheres modernas são frias, pouco carinhosas e mandonas.

— Os homens ficam entre o provedor/poderoso e o moderno que compartilha. Eles desejam muito a liberdade no relacionamento afetivo e têm pouca confiança para se entregarem. Têm medo de não poder usufruir do mundo feminino, que é muito mais carinhoso e agradável; ou ser manipulados pelas artimanhas femininas — diz.

Edsá Sampaio, empresário, de 38 anos, diz que o que mais procura numa mulher é a sinceridade e abomina aquela que vive de cobranças:

— Isso desgasta muito qualquer relacionamento. No campo afetivo e sexual, a mulher se perdeu muito. Na ânsia por prazer, ela acabou se vulgarizando e se tornou fácil. Os homens desconfiam da fidelidade delas. Acabou o brilho da conquista.

Eles admiram a independência financeira

O químico e professor Antônio Carlos de Oliveira Sobrinho, de 36 anos, preza a independência da mulher.

— Uma mulher, para me conquistar, tem que andar com as próprias pernas.

Opinião que é endossada por Marcelo do Rio e Bruno Levinson.

— Adoro este aspecto da vida moderna, de cada pessoa ter a sua individualidade. Era um fardo, para os homens, o fato de as mulheres dependerem deles. Agora, elas batalham junto, não há ninguém frustrado. Quero, ao meu lado, alguém com opinião — defende Marcelo.

Bruno Levinson, que se diz “100% a favor do romantismo”, também aplaude a independência econômica feminina:

— Sou a favor da dependência afetiva mas não da econômica. Quero alguém para planejar junto, ter sonhos juntos. Não defendo a dependência doentia, mas não consigo me imaginar feliz sem ver a minha mulher feliz. As pessoas ainda não se adaptaram a estas mudanças. O pior é essa busca enlouquecida pela individualidade — diz ele, que dora mulheres conquistadoras.

Já Rodrigo Sha, também “um dos últimos românticos”, preza a individualidade:

— No relacionamento, cada um enche o copo do outro mas cada um bebe o seu. Um relacionamento tem que somar. A mulher é o lado doce da vida — diz o saxofonista.

Paulo Cesar admite ter certo medo da rejeição. Diz não estar em idade de se arriscar tanto. Mas dá a pista do tipo de mulher que procura:

— Passa menos pelos aspectos físicos. Ela tem que ter bom humor, rir de si mesma, ser companheira, ter cumplicidade, ser franca e honesta.

O veterinário Fernando Rodrigues de Freitas, 31 anos, atribui ao egoísmo moderno a dificuldade de encontrar a pessoa certa. — Ninguém quer ceder. As cobranças são muitas para algo tão superficial: você tem de ser bonito, inteligente, ter um bom emprego e ser um selvagem na cama. Fica difícil. Acho que as mulheres se perderam com tanta liberdade e os homens, por se sentirem acuados, acabam caindo na galinhagem.
JULIANA ZARONIé repórter do Diário de São Paulo

Do que eles se queixam

Estas são algumas das frases mais freqüentes ditas pelos homens:

POR QUE O DIABO DA TPM VIROU DESCULPA PARA TUDO? Para tudo! Seja para justificar uma cara feia ou negar um convite. Parem de usar esse diacho como desculpa para tudo!

POR QUE MULHER QUER QUE O HOMEM INTUA TUDO? Em vez de explicar os porquês, a mulher sempre espera do homem este poder sobrenatural para entender os problemas. Não é muito mais fácil falar do que brincar de adivinhação?

QUE BAGUNÇA DENTRO DE CASA: Com toda essa história de creminhos, loções, fazer unha, depilação, essa frescura toda, mulher, dentro de casa, tende a ser muito mais bagunceira. E a casa vira um pandemônio.

AH, PODIA TER UMA FLORZINHA AQUI, AH, VAMOS BOTAR UM BONSAI ALI: Ô, mania que mulher tem de encher a casa de planta. E aí junto vem mosquito, vem pernilongo... e pronto, já começa ela de novo a gastar dinheiro em creminho para pele por conta disso.

VAMOS CONVERSAR SOBRE A RELAÇÃO: Agora???? É, mulher tem mania de escolher os piores momentos para conversar, seja no meio daquele clássico que você assinou no Paper-view ou na hora do filme que você esperou a semana toda para assistir.

CHEGA DE TREINAMENTO PARA FAQUIR: Mania mais chata esta de magreza. Não pode jantar fora porque engorda, e se aceita o convite pede só uma saladinha. Vocêcompra um bombom e recebe um fora como resposta, que quer vê-la gorda para não ser paquerada por mais ninguém ou porque já perdeu as esperanças de ela emagrecer mesmo, então tome bombom...

GOSTOSA ERA A MINHA AVÓ: Chamar de gostosona é pior do que xingar a mãe. Na mesma hora, ela acha que está gorda, imensa, e aí fica com TPM, não quer mais sair de casa, só come alface...


Autor : Antonio Marinho, Simone Intrator e Juliana Zaroni
Créditos : Anna Beth
Fonte : O Globo